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OPINIÃO ÀS SEGUNDAS | “O pai também sabe!”

Trabalho com bebés e famílias desde 2014. Tem sido um privilégio acompanhar o crescimento/desenvolvimento da vertente cuidadora dos pais (progenitores masculinos).

As mães serão sempre as mães e que assim seja sempre! Não se pretende que o pai substitua o papel da mãe, mas que o complemente com uma função única e fundamental no desenvolvimento da criança.

O papel de pai começa na gravidez, ainda que de forma abstrata para o próprio, e apesar de nesta fase poder ter a sensação de que só está a cuidar da mãe. Acompanha nas consultas pré-natais, na preparação para o parto, está presente no processo e faz questão de assistir ao parto (tremendamente injusto em tempo de pandemia muitos casais não terem esta possibilidade).

Realmente a primeira preocupação do pai, isto dito por vários, é a mãe! É o que lhes é conhecido. O amor pelo bebé precisa de tempo.

E na realidade está tudo certo! A mãe cuida do bebé e o pai cuida da mãe (isto não significa que o pai não cuide do bebé, mas que a sua prioridade são as necessidades da mãe!). Cria-se uma sinergia incrível que irá proporcionar, no meio de todo aquele turbilhão de emoções e adaptações iniciais, um equilíbrio a longo prazo.

É com muita satisfação que conto cada vez mais com a presença do pai nas consultas. Trazem as suas próprias questões, complementam a informação necessária à minha intervenção quando a amnésia materna entra em ação, revezam-se nas consultas em tempo de pandemia em que o plano de contingência limita o número de pessoas dentro do gabinete.

Algumas pessoas pensarão que isto talvez nem fosse motivo de destaque. Mas os homens são realmente diferentes das mulheres. Não sei, no entanto, o que influenciará mais – se a genética, se a cultura patriarcal. E as mudanças são também fisiológicas! Por exemplo, foram realizados estudos em que foi detetado um aumento dos níveis de ocitocina (a chamada hormona do amor, tão importante na amamentação e no processo de parto) em pais cuidadores relativamente aos que não o eram, ou seja, aqueles que adormecem o bebé, o alimentam, mudam a fralda, dão o banho, etc.

As mulheres passam muito tempo fora de casa e os homens estão cada vez mais presentes, deixando de se considerar uma ajuda, mas sendo parte integrante também das lides domésticas, incluindo nos cuidados ao bebé.

E é no cuidar que se desenvolve a relação e o amor cresce. Eu acho que esta foi uma grande descoberta dos pais!

 

Cláudia Costa – Fisioterapeuta

M. geral@fisioterapiatiagosilva.pt

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