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OPINIÃO ÀS SEGUNDAS | “Como devemos vestir os bebés? E quando devemos calçá-los?”

Os bebés são seres sensoriais, ou seja, o seu desenvolvimento depende dos estímulos recebidos através de recetores relacionados com os sentidos: olfato, visão, audição, paladar e tato, que são posteriormente processados ao nível do córtex cerebral.

Para que estas ligações e processos aconteçam é necessário criar condições favoráveis. Como é natural, o bebé nasce nu e o seu corpo é um campo aberto sedento de toque/contacto. São mais do que conhecidos os benefícios do contacto pele com pele e não é só na altura do nascimento!

Por isso, quando vestimos uma “segunda pele” ao bebé devemos ter em conta o tipo de tecido (macio, respirável e ajustável), o volume da peça de roupa (folhos, dobras) e o tamanho (ajustado ao comprimento do bebé).

Imaginem irem ao ginásio vestidos de ganga e camisa! Não vos parece bem, pois não?

Os bebés passam o dia no “ginásio”! Cada momento é uma descoberta de uma parte do corpo, de um movimento novo… É fundamental que o bebé esteja confortável!

A exploração do seu corpo é o que lhes vai permitir desenvolver a relação com o meio envolvente, o outro e o seu Eu.

As mãos e os pés dos bebés têm um papel fundamental! As mãos para além das informações táteis vão permitir adquirir a capacidade de coordenação olho-mão, tão importante para o desenvolvimento psicomotor. Até aos 8 a 9 meses de idade a planta dos pés é a zona provida do maior número de recetores táteis superficiais que lhes permite ter sensações como a temperatura, textura e limites. A partir desta idade começam a desenvolver-se recetores a nível mais profundo como os que permitem a noção de posição articular e contração/alongamento muscular, os quais são fundamentais para o desenvolvimento da marcha e do equilíbrio.

É então fácil de perceber que os pés e as mãos são grandes entradas sensoriais e que devem por isso estar livres!

Luvas nos recém-nascidos não!

Sapatos pré-andantes não!

Mesmo quando os bebés começam a andar, se estiverem em casa recomendo que andem descalços, se a temperatura o permitir, ou com meias anti-derrapantes. No momento de escolher o calçado deve-se ter em conta os seguintes critérios: sola dura mas flexível (deve conseguir dobrar o sapato) e apoio de calcanhar rígido.

O alimento do cérebro do bebé é tudo o que ele é capaz de absorver. Quanto maior for a qualidade de receção dos estímulos, mais rápida e adequada é a aquisição!

Desafio-vos a abusar do contacto e a usufruir do cheiro e da sensação maravilhosa que é massajar ou acariciar a pele do vosso bebé!

Em linguagem mamífera: abusem das lambidelas!

 

Cláudia Costa | Fisioterapeuta

E. geral@fisioterapiatiagosilva.pt

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