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OPINIÃO ÀS SEGUNDAS | “Estrutura ou função?”

Na fisioterapia trabalhamos quase sempre do fim para o início. Quero dizer com isto que quando um paciente se apresenta na clínica com sintomas, já existe uma longa história de disfunções. Assim, é importante avaliar todas as variantes para podermos, com a certeza possível, chegar à origem do problema.

Então questiono: o que realmente importa avaliar quando existem sintomas dolorosos numa certa região do corpo? Descobrir se existe alguma estrutura como tendões, ligamentos, etc “rotos” ou mesmo uma protusão discal, ou perceber se a função global daquela zona esta alterada e, isso sim, está a causar dor naquele tendão, ligamento, etc ou zona lombar?

Durante anos avaliamos a dor no local onde ela aparecia. Além disso o diagnóstico era feito sempre com base numa possível alteração estrutural. No caso do ombro, por exemplo, eram raras as avaliações que não tivessem um diagnóstico de tendinite do supra espinhoso ou bursite. No caso da coluna lombar existia sempre uma hérnia discal ou uma protusão que estava a dar a tal “ciática”. Hoje, sabemos que isso é muito redutor.

Atualmente, e à luz da ciência e da prática clínica, sabemos que para fazermos uma boa avaliação do sintoma temos que perceber várias coisas. Existe toda a complexidade bio-psico-social que obrigatoriamente deve estar sempre presente no momento da avaliação. Mas no que toca à avaliação músculo-esquelética propriamente dita, importa muito mais avaliar a função do que a estrutura. Óbvio que um tendão inflamado deve ser tido em conta, mas se não eliminarmos as causas da sobrecarga daquele tendão não nos adianta tratá-lo.

Dando um exemplo prático como a articulação do joelho e da tendinopatia rotuliana, aquilo que vemos recorrentemente em clínica é um engrossamento do tendão associado a uma disfunção da gordura de hoffa e da biomecânica articular. Nestes casos, só conseguimos uma normalização dos sintomas e uma não recidiva se tivermos em conta todas as estruturas relevantes para o caso e de que forma elas interagem com o sistema nervoso central.

Posto isto, e é um tema que dá “pano para mangas”, o fisioterapeuta deve fazer o que lhe compete. Uma avaliação exaustiva da história que levou ao aparecimento dos sintomas e traçar um protocolo de tratamento que tenha em conta a disfunção e a melhoria dos sintomas, com o objetivo de fazer recomeçar quem o procura.

 

Tiago Silva | Fisioterapeuta

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